{"id":1430,"date":"2016-09-08T15:51:36","date_gmt":"2016-09-08T18:51:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rafaelviana.com.br\/?p=1430"},"modified":"2020-06-17T02:55:30","modified_gmt":"2020-06-17T05:55:30","slug":"ilegitimidade_violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zynphull.com\/en\/2016\/09\/08\/ilegitimidade_violencia\/","title":{"rendered":"A Ilegitimidade da Viol\u00eancia e a Viol\u00eancia da Legitimidade"},"content":{"rendered":"<h3>Este texto n\u00e3o \u00e9 de minha autoria, apenas fiz sua tradu\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<p>O texto original, de autoria do CrimethInc. Ex-Workers&#8217; Collective, pode ser encontrado <a href=\"http:\/\/www.crimethinc.com\/texts\/recentfeatures\/violence.php\">neste link<\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, pelo menos desde 2013, o discurso \u00e9 frequentemente o mesmo: protestos s\u00e3o pac\u00edficos at\u00e9 que ocorra algum \u201ctumulto\u201d ou \u201cempurra-empurra,\u201d ou ainda \u201cin\u00edcio de depreda\u00e7\u00e3o\u201d: termos sempre vagamente definidos e vistos como legitimando a rea\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia com bombas de g\u00e1s, spray de pimenta e tiros de borracha. No \u00faltimo ato contra Michel Temer, que reuniu milhares de pessoas por horas sem que houvesse qualquer confronto, terminou em repress\u00e3o. Em nota, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica afirmou que <\/span><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2016\/09\/1810216-manifestantes-se-reunem-na-paulista-para-protesto-contra-temer.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;v\u00e2ndalos quebraram catracas, colocando em risco funcion\u00e1rios,\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e que a PM \u201catuou para restabelecer a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ordem p\u00fablica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, sendo recebida a pedradas, intervindo com muni\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e utiliza\u00e7\u00e3o de jato d&#8217;\u00e1gua.&#8221; Ou seja, um \u201ctumulto\u201d (descrito pela mesma mat\u00e9ria como um \u201cempurra-empurra\u201d) envolvendo (suposta) depreda\u00e7\u00e3o de objetos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">inanimados <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">significou um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">risco <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">a funcion\u00e1rios, que por sua vez justificou a a\u00e7\u00e3o da PM que, visando ao restabelecimento da \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ordem p\u00fablica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, revidou com bombas e jatos d\u2019\u00e1gua. Em jogo nesse tipo de ocorrido est\u00e1, entre outras coisas, a defini\u00e7\u00e3o de \u201cviol\u00eancia.\u201d Se atos que causam <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">dano ou amea\u00e7a sem consentimento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> forem entendidos como violentos, o que diferencia manifestantes \u201cmascarados\u201d de policiais armados com bombas e balas de borracha al\u00e9m de que aqueles atacam vidra\u00e7as e estes, pessoas? Para grande parte do p\u00fablico, a diferen\u00e7a estaria na \u201clegitimidade\u201d da Pol\u00edcia para agir violentamente. Mas por que a \u201clegitimidade\u201d \u00e9 monop\u00f3lio do Estado?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para estimular essa discuss\u00e3o, trago uma tradu\u00e7\u00e3o que fiz \u00e0s pressas de um texto do <\/span><a href=\"http:\/\/www.crimethinc.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Crimethinc Ex-Workers\u2019 Collective<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, um \u201ccoletivo anarquista descentralizado\u201d que tem diversas publica\u00e7\u00f5es excelentes sobre anarquismo e assuntos relacionados. Como n\u00e3o \u00e9 um texto meu, posso n\u00e3o endossar 100% das opini\u00f5es contidas nele, mas considero a reflex\u00e3o trazida aqui sobre legitimidade e viol\u00eancia essencial para tempos de protestos com enorme repress\u00e3o e, sobretudo, com certo \u201crespaldo\u201d, ora silencioso e omissivo, ora pr\u00f3-ativo, por parte de lideran\u00e7as de esquerda. <strong>\u00c9 meu desejo que este texto chegue at\u00e9 tais lideran\u00e7as e, no m\u00ednimo, as fa\u00e7a repensar suas estrat\u00e9gias e sua intera\u00e7\u00e3o com&nbsp;quem luta por causas parecidas, mas de formas diferentes. Se voc\u00ea puder ajudar com isso, v\u00e1 em frente.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo do texto, inseri coment\u00e1rios meus, tentando contextualiz\u00e1-lo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o brasileira atual. Estes estar\u00e3o destacados <span style=\"background-color: #a9fedd;\">com um fundo colorido.<\/span> &nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8212;&#8211;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 viol\u00eancia? Quem a define? Ela tem um lugar na busca por liberta\u00e7\u00e3o? Estas quest\u00f5es antigas voltaram \u00e0 tona durante o movimento Occupy. Mas essa discuss\u00e3o nunca se d\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es equitativas; enquanto alguns deslegitimam a viol\u00eancia, a pr\u00f3pria linguagem da legitimidade prepara o caminho para que as autoridades fa\u00e7am uso de meios violentos.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEmbora linhas de policiais em cima cavalos e com c\u00e3es, atravessassem a rua principal fora da delegacia policial para dispersar os manifestantes, houve v\u00e1rios bols\u00f5es de viol\u00eancia que a pol\u00edcia n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar.\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<h5><b>\u2013<\/b><a href=\"http:\/\/thelede.blogs.nytimes.com\/2011\/08\/06\/shops-and-cars-burn-in-anti-police-riot-in-london\/\"><b>The New York Times<\/b><\/a><b>, cobrindo as manifesta\u00e7\u00f5es de agosto de 2011 no Reino Unido<\/b><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante o encontro da ALCA em 2011 em Quebec, um jornal destacadamente noticiou que a<\/span><a href=\"http:\/\/www.trabal.org\/texts\/stvio_socmovestud.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\"> viol\u00eancia teve in\u00edcio quando manifestantes come\u00e7aram a jogar bombas de g\u00e1s de volta \u00e0s linhas de policiais<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Quando as autoridades s\u00e3o vistas como possuindo um monop\u00f3lio do uso leg\u00edtimo da for\u00e7a, \u201cviol\u00eancia\u201d \u00e9 um termo frequentemente usado para denotar o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">uso ileg\u00edtimo da for\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; qualquer coisa que interrompa ou fuja do controle das autoridades. Isto transforma o termo \u201cviol\u00eancia\u201d quase em um <\/span><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Floating_signifier\"><span style=\"font-weight: 400;\">significante flutuante<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, uma vez que tamb\u00e9m \u00e9 entendido como significando \u201cdano ou amea\u00e7a n\u00e3o consentida.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isto se complica ainda mais pelas formas atrav\u00e9s das quais nossa sociedade se baseia e \u00e9 permeada por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">danos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">amea\u00e7as n\u00e3o consentidas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Neste sentido, n\u00e3o \u00e9 violento viver em territ\u00f3rio colonizado, destruir ecossistemas atrav\u00e9s de nosso consumo di\u00e1rio e beneficiar-se de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas for\u00e7adas sobre os outros \u00e0 m\u00e3o armada? N\u00e3o \u00e9 violento que guardas armados mantenham comida e terra, um dia bens comuns compartilhados por todos, fora do alcance daqueles que mais precisam deles? \u00c9 mais violento resistir \u00e0 pol\u00edcia que expulsa pessoas de suas casas, ou permanecer em sil\u00eancio enquanto s\u00e3o criados mais sem-teto? \u00c9 mais violento jogar bombas de g\u00e1s de volta na pol\u00edcia, ou acusar aqueles que os jogam de \u201cviolentos\u201d, dando justificativas para que a pol\u00edcia fa\u00e7a pior?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um cen\u00e1rio desses, n\u00e3o existe nada que possa ser chamado de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o-viol\u00eancia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; o mais pr\u00f3ximo que podemos chegar \u00e9 negar o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">dano ou amea\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> imposto pelos defensores da viol\u00eancia de-cima-pra-baixo. E quando tantas pessoas se beneficiam dos privil\u00e9gios que esta viol\u00eancia lhes garante, \u00e9 inocente pensar que poder\u00edamos defender a n\u00f3s e a outros menos favorecidos [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">dispossessed<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">] sem violar os desejos de ao menos alguns banqueiros e rentistas. Ent\u00e3o ao inv\u00e9s de questionar se determinada a\u00e7\u00e3o \u00e9 ou n\u00e3o violenta, seria melhor perguntar apenas: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">esta a\u00e7\u00e3o contrap\u00f5e-se a disparidades de poder, ou as refor\u00e7a?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00e9 a pergunta anarquista fundamental. Podemos faz\u00ea-la em toda situa\u00e7\u00e3o; toda quest\u00e3o posterior sobre valores, t\u00e1ticas e estrat\u00e9gia procede dela. Quando a quest\u00e3o pode ser colocada dessa forma, por que algu\u00e9m iria querer puxar o debate de volta para a dicotomia entre viol\u00eancia e n\u00e3o-viol\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O discurso de viol\u00eancia e n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 atrativo acima de tudo pois oferece uma forma f\u00e1cil de reivindicar superioridade moral. Isto torna este discurso sedutor tanto para criticar o estado e para competir por influ\u00eancia com outros ativistas. Mas em uma sociedade hier\u00e1rquica, ganhar a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">superioridade moral<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> muitas vezes refor\u00e7a a pr\u00f3pria hierarquia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Legitimidade \u00e9 uma das moedas que est\u00e3o desigualmente distribu\u00eddas em nossa sociedade, e atrav\u00e9s das quais suas disparidades s\u00e3o mantidas. Definir pessoas ou a\u00e7\u00f5es como violentas \u00e9 uma forma de exclu\u00ed-las do discurso leg\u00edtimo, de silenciar e se fechar. Isto se assemelha a e refor\u00e7a outras formas de marginaliza\u00e7\u00e3o: uma pessoa branca e rica pode agir de forma \u201cn\u00e3o-violenta\u201d de formas que seriam vistas como violentas se cometidas por um indiv\u00edduo preto e pobre. Em uma sociedade desigual, a defini\u00e7\u00e3o de \u201cviol\u00eancia\u201d n\u00e3o \u00e9 mais neutra que qualquer outra ferramenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Definir pessoas ou a\u00e7\u00f5es como violentas tamb\u00e9m tem a consequ\u00eancia imediata de justificar o uso de for\u00e7a contra elas. Este tem sido um passo essencial em praticamente toda campanha voltada contra a comunidades marginalizadas racialmente, movimentos de protesto, e outros do lado errado do capitalismo. Se voc\u00ea j\u00e1 participou de manifesta\u00e7\u00f5es o suficiente, voc\u00ea sabe que \u00e9 muitas vezes poss\u00edvel anticipar exatamente quanta viol\u00eancia a pol\u00edcia vai usar contra um ato pela forma que a hist\u00f3ria \u00e9 apresentada nas not\u00edcias na noite anterior. Desta forma, a m\u00eddia e mesmo ativistas rivais podem participar no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">policiamento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ao lado da pol\u00edcia, determinando quem \u00e9 um alvo leg\u00edtimo pela forma que se constr\u00f3i a narrativa dos fatos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No anivers\u00e1rio de um ano do levante eg\u00edpcio, o ex\u00e9rcito revogou a legisla\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia &#8211; \u201c<\/span><a href=\"http:\/\/www.egyptindependent.com\/node\/617036\"><span style=\"font-weight: 400;\">exceto em casos envolvendo marginais<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u201d A revolta popular de 2011 havia for\u00e7ado as autoridades a legitimar formas anteriormente inaceit\u00e1veis de resist\u00eancia: Obama chegou a caracterizar de \u201c<\/span><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TyDLjLfE2Jc\"><span style=\"font-weight: 400;\">n\u00e3o-violenta\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> uma revolta em que milhares <\/span><a href=\"http:\/\/occupywallst.org\/article\/solidarity-statement-cairo\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">luteram contra a pol\u00edcia e queimaram delegacias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Para re-legitimar o aparato legal da ditadura, era necess\u00e1rio criar uma nova distin\u00e7\u00e3o entre \u201cmarginais\u201d violentos e o resto da popula\u00e7\u00e3o. Mas a subst\u00e2ncia desta distin\u00e7\u00e3o nunca foi explicitada; na pr\u00e1tica, \u201cmarginal\u201d \u00e9 simplesmente a palavra usada para designar algu\u00e9m atingido pela pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_1430_1('footnote_plugin_reference_1430_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_1430_1('footnote_plugin_reference_1430_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_1430_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">1<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_1430_1_1\" class=\"footnote_tooltip\">Preste aten\u00e7\u00e3o em como frequentemente pessoas detidas s\u00e3o acusadas de terem cometido o mesmo tipo de viol\u00eancia que na verdade sofreram por autoria da pol\u00edcia.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_1430_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_1430_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top right', relative: true, offset: [10, 10], });<\/script><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o quando uma parcela grande o suficiente da popula\u00e7\u00e3o pratica resist\u00eancia, as autoridades t\u00eam de redefini-la como n\u00e3o-violenta, ainda que tais a\u00e7\u00f5es fossem antes consideradas violentas. N\u00e3o fosse assim, a dicotomia entre viol\u00eancia e legitimidade se desfaria &#8211; e sem tal dicotomia, seria muito mais dif\u00edcil justificar o uso de for\u00e7a contra aqueles que amea\u00e7am o status quo. No mesmo sentido, quanto mais abrirmos espa\u00e7o na discuss\u00e3o sobre o que permitimos que as autoridades definam como violento, mais elas ir\u00e3o incluir nessa categoria, e maior ser\u00e1 o risco que todos n\u00f3s iremos correr. Uma consequ\u00eancia das \u00faltimas d\u00e9cadas de disobedi\u00eancia civil que se auto-denomina \u201cn\u00e3o-violenta\u201d \u00e9 que algumas pessoas consideram at\u00e9 levantar a voz como um ato violento; isto permite retratar como \u201cmarginais violentos\u201d aqueles que tomam as m\u00ednimas provid\u00eancias para se proteger da pol\u00edcia.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1701\" aria-describedby=\"caption-attachment-1701\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1701 size-large\" src=\"http:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/age20150412425-1024x642.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"564\" srcset=\"https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/age20150412425-1024x642.jpg 1024w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/age20150412425-300x188.jpg 300w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/age20150412425-768x481.jpg 768w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/age20150412425-680x426.jpg 680w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/age20150412425.jpg 1700w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1701\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Vamos todos sentar no ch\u00e3o para que a pol\u00edcia possa diferenciar esses v\u00e2ndalos perigosos dos manifestantes de bem.&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs indiv\u00edduos que formaram uma corrente com seus bra\u00e7os e ativamente resistiram &#8211; isto por si s\u00f3 \u00e9 um ato de viol\u00eancia \u2026 dar os bra\u00e7os uns aos outros em uma corrente humana ap\u00f3s uma ordem de dispers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um protesto n\u00e3o-violento.\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<h5><b>-Capit\u00e3o Margo Bennett, guarda universit\u00e1rio, citado no <\/b><a href=\"http:\/\/www.sfgate.com\/cgi-bin\/article.cgi?f=\/c\/a\/2011\/11\/10\/MNH21LTC4D.DTL#ixzz1dQT8J9cb\"><b>The San Francisco Chronicle<\/b><\/a><b>, justificando o uso de for\u00e7a contra estudantes na Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley<\/b><\/h5>\n<h2><b>As Ferramentas do Mestre: Deslegitima\u00e7\u00e3o, Deturpa\u00e7\u00e3o e Divis\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Repress\u00e3o violenta \u00e9 apenas uma parte da estrat\u00e9gia usada para suprimir movimentos sociais. Para que esta repress\u00e3o tenha sucesso, \u00e9 preciso dividir os movimentos em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">leg\u00edtimos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">and <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ileg\u00edtimos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, e ent\u00e3o convencer os primeiros a repudiar os \u00faltimos &#8211; muitas vezes em troca de privil\u00e9gios e concess\u00f5es. Podemos ver este processo em primeira m\u00e3o nos esfor\u00e7os de jornalistas profissionais como Chris Hedges e Rebecca Solnit em demonizar rivais no movimento Occupy.&nbsp;<\/span><span style=\"background-color: #a9fedd;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil de 2016, isto pode ser observado nas declara\u00e7\u00f5es de ativistas ligados \u00e0 esquerda socialista e organizada, como Raimundo Bonfim, ao afirmar que caso adeptos do Black Bloc aparecessem no maior protesto contra o governo Temer at\u00e9 agora, no domingo (4\/09) na Avenida Paulista, estes deveriam ser \u201c<\/span><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2016\/09\/1809940-movimentos-de-esquerda-se-dizem-contrarios-a-tatica-black-bloc.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">convidados a se retirar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.&#8221; Guilherme Boulos, do MTST, costumeiramente declara que \u201cnas nossas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para pr\u00e1ticas dessa natureza&#8221;. Ainda no mesmo artigo, o ativista David Villalva faz uma distin\u00e7\u00e3o similar entre \u201cgente querendo fazer tudo certo\u201d e \u201caqueles que querem desvirtuar o ato.\u201d Villalva \u00e9 l\u00edder do movimento \u201cLuta pela Democracia\u201d que chegou ao ponto de se aliar \u00e0 pol\u00edcia ao denunciar para ela a presen\u00e7a de Black Blocs.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu artigo <\/span><a href=\"http:\/\/www.commondreams.org\/view\/2011\/11\/14-8\"><span style=\"font-weight: 400;\">Throwing Out the Master\u2019s Tools and Building a Better House: Thoughts on the Importance of Nonviolence in the Occupy Revolution<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">,\u201d Rebecca Solnit misturou argumentos morais e estrat\u00e9gicos contra \u201cviol\u00eancia,\u201d adotando uma forma de excepcionalismo estadunidense: Zapatistas podem pegar em armas e rebeldes eg\u00edpcios podem por fogo em pr\u00e9dios, mas n\u00e3o podemos deixar nem uma lixeira pegar fogo nos EUA.&nbsp;<span style=\"background-color: #a9fedd;\">E, no Brasil, respeitados sejam os vidros de bancos e concession\u00e1rias!<\/span><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&nbsp;No fundo, seu argumento era de que apenas o \u201cpoder popular\u201d pode levar a cabo mudan\u00e7as sociais revolucion\u00e1rias &#8211; e de que o \u201cpoder popular\u201d \u00e9 necessariamente n\u00e3o-violento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Solnit deveria saber que a defini\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 neutra: em seu artigo \u201cThe Myth of Seattle Violence,\u201d ela narrou sua tentativa frustrada de tentar fazer com que o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">New York Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> deixasse de representar como \u201cviolentos\u201d os protestos contra o encontro da OMC em 1999 em Seattle. Atrav\u00e9s da repetida \u00eanfase da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">viol\u00eancia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">como sua categoria central de an\u00e1lise, Solnit refor\u00e7a a efetividade de uma das ferramentas que inevitavelmente ser\u00e3o utilizadas contra manifestantes &#8211; incluindo ela &#8211; sempre que servir aos interesses dos poderosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Solnit manifesta especial desaprova\u00e7\u00e3o por aqueles que defendem a diversidade de t\u00e1ticas como uma forma de impedir a divis\u00e3o de movimentos. V\u00e1rios par\u00e1grafos de seu \u201cThrowing Out the Master\u2019s Tools\u201d s\u00e3o dedicados a criticar o panfleto <\/span><a href=\"http:\/\/www.crimethinc.com\/blog\/2011\/10\/07\/dear-occupiers-a-letter-from-anarchists\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDear Occupiers\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do coletivo CrimethInc.:<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_1430_1('footnote_plugin_reference_1430_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_1430_1('footnote_plugin_reference_1430_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_1430_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">2<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_1430_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">Nota do tradutor: coletivo autor do texto original, aqui traduzido.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_1430_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_1430_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top right', relative: true, offset: [10, 10], });<\/script> Solnit considerou-o um \u201cgrito pela justifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia,\u201d ou ainda \u201cmachismo vazio temperado de insultos,\u201d e partiu para ataques <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ad hominem <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">contra autores sobre os quais ela admitidamente n\u00e3o sabia nada.<span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_1430_1('footnote_plugin_reference_1430_1_3');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_1430_1('footnote_plugin_reference_1430_1_3');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_1430_1_3\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">3<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_1430_1_3\" class=\"footnote_tooltip\">Embora Solnit alegue que n\u00f3s \u201cn\u00e3o pare\u00e7amos preparados para agir,\u201d os autores de \u201cDear Occupiers\u201d e deste texto s\u00e3o participantes de longa data de movimentos sociais, e em sua maioria vivem bem abaixo da linha da pobreza, longe de mecas liberais como sua S\u00e3o Francisco. Este assunto toca muitos de n\u00f3s pessoalmente: alguns de n\u00f3s j\u00e1 sofreram falsas acusa\u00e7\u00f5es de tumulto &#8211; um por agir como porta-voz durante um protesto contra gentrifica\u00e7\u00e3o, outro por ser atacado pela pol\u00edcia durante um protesto de rua &#8211; e muitos de n\u00f3s t\u00eam amigos pr\u00f3ximos na pris\u00e3o. N\u00f3s escolhemos escrever anonimamente em parte porque, uma vez que n\u00e3o somos jornalistas profissionais, n\u00e3o podemos contar com empregadores que n\u00e3o nos discriminem por nossas orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e tamb\u00e9m porque tais orienta\u00e7\u00f5es atraem mais aten\u00e7\u00e3o hostil das autoridades que aquelas de Solnit ou Hedges, mas acima de tudo porque n\u00e3o procuramos desenvolver carreiras ou fama pessoal em tentativas de mudar o mundo.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_1430_1_3').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_1430_1_3', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top right', relative: true, offset: [10, 10], });<\/script><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como qualquer um pode <\/span><a href=\"http:\/\/cloudfront.crimethinc.com\/images\/occupy\/dearoccupiers.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">facilmente constatar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, a maioria de \u201cDear Occupiers\u201d simplesmente revisa os problemas sist\u00eamicos com o capitalismo; a defesa da diversidade de t\u00e1ticas limita-se a s\u00f3 uns dois par\u00e1grafos. Por que uma autora premiada retrat\u00e1-lo como um grito pr\u00f3-viol\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez seja por esta mesma raz\u00e3o que Solnit una-se \u00e0s autoridades para deslegitimar a viol\u00eancia mesmo quando isto acaba por ajudar as autoridades a deslegitimar os pr\u00f3prios esfor\u00e7os de Solnit: sua influ\u00eancia em movimentos sociais e seus privil\u00e9gios na sociedade capitalista baseiam-se ambos na distin\u00e7\u00e3o entre leg\u00edtimo e ileg\u00edtimo. Se movimentos sociais um dia parassem de ser geridos de cima pra baixo &#8211; se eles parassem de se <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">policiar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211; os Hedges e Solnits&nbsp;<span style=\"background-color: #a9fedd;\">(e Villalvas, e Bonfims, e Boulos, e v\u00e1rios outros).<\/span>&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">do mundo ficariam literal e figurativamente desempregados. Isso explica porque eles percebem como seus piores inimigos aqueles que moderadamente aconselham contra a divis\u00e3o de movimentos entre fac\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas e ileg\u00edtimas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 dif\u00edcil imaginar que Solnit teria representado o \u201cDear Occupiers\u201d como ela fez se ela esperasse que seu p\u00fablico lesse o texto original. Dado seu p\u00fablico, trata-se de uma aposta segura &#8211; Solnit \u00e9 frequentemente publicada na m\u00eddia corporativa, enquanto textos da CrimethInc s\u00e3o distribu\u00eddos apenas por redes comunit\u00e1rias [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">grass-roots networks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">]; de qualquer forma, ela nem incluiu um link. Chris Hedges agiu de forma similar em seu not\u00f3rio \u201c<\/span><a href=\"http:\/\/www.truthdig.com\/report\/item\/the_cancer_of_occupy_20120206\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">The Cancer in Occupy<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, uma s\u00e9rie de absurdas generaliza\u00e7\u00f5es sobre \u201canarquistas black blocs.\u201d Parece que o objetivo de ambos os autores \u00e9 <\/span><a href=\"http:\/\/www.crimethinc.com\/blog\/2012\/02\/20\/black-bloc-confidential\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">silenciar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">por que voc\u00ea iria querer ouvir o que essas pessoas t\u00eam a dizer? Elas s\u00e3o marginais violentos.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O t\u00edtulo do artigo de Solnit faz refer\u00eancia ao influente texto de Audre Lorde intitulado \u201c<\/span><a href=\"http:\/\/lists.econ.utah.edu\/pipermail\/margins-to-centre\/2006-March\/000794.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">The Master\u2019s Tools Will Never Dismantle the Master\u2019s House<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u201d seu texto n\u00e3o era uma apologia \u00e0 n\u00e3o-viol\u00eancia; mesmo Derrick Jensen, que Hedges cita favoravelmente, j\u00e1 <\/span><a href=\"http:\/\/www.endgamethebook.org\/Excerpts\/25%20-%20Pacifism%20I.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">combateu tal uso incorreto desta cita\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Aqui, basta repetir que a mais poderosa das ferramentas do mestre n\u00e3o \u00e9 a viol\u00eancia, mas a deslegitima\u00e7\u00e3o e a divis\u00e3o &#8211; como Lorde enfatizou em seu texto. Para defender nossos movimentos contra tais ferramentas, Lorde afirma:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA diferen\u00e7a n\u00e3o deve ser meramente tolerada, mas vista como um fundo de polaridades necess\u00e1rias entre as quais nossa criatividade pode florescer\u2026 Apenas dentro desta interdepend\u00eancia de diferentes for\u00e7as, reconhecidas e iguais, poder\u00e1 ser encontrado o poder de buscar novas formas de ser no mundo, bem como a coragem e a sustenta\u00e7\u00e3o para agir quando n\u00e3o h\u00e1 guias.\u201d <\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se queremos sobreviver, isso significa:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u2026aprender a resistir sozinho, na impopularidade e por vezes insultado, e a como encontrar causas em comum com os outros identificados como exclu\u00eddos das estruturas de forma a definir e buscar um mundo em que todos possamos nos desenvolver\u2026 aprendendo como transformar nossas diferen\u00e7as em for\u00e7as. Pois as ferramentas do mestre jamais demolir\u00e3o a casa do mestre.\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 especialmente vergonhoso que Solnit cite o argumento de Lorde contra o silenciamento de maneira descontextualizada para deslegitimar e dividir. Mas talvez n\u00f3s n\u00e3o dever\u00edamos nos surpreender quando profissionais de sucesso criticam [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sell out<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">] pobres an\u00f4nimos: eles t\u00eam que defender seus interesses de classe, ou acabar por se juntar a n\u00f3s. Pois os mecanismos que treinam pessoas para posi\u00e7\u00f5es de influ\u00eancia dentro de hierarquias ativistas e da m\u00eddia liberal tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o neutros; eles recompensam a docilidade, muitas vezes apelidada de \u201cn\u00e3o-viol\u00eancia,\u201d invisibilizando aqueles cujos esfor\u00e7os realmente amea\u00e7am o capitalismo e a hierarquia.<\/span><\/p>\n<h2><b>O Engodo da Legitimidade<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando queremos ser levados a s\u00e9rio, \u00e9 tentador reivindicar legitimidade da forma que pudermos. Mas se n\u00e3o queremos refor\u00e7ar as hierarquias de nossa sociedade, dever\u00edamos ter cuidado para n\u00e3o validar formas de legitimidade que a perpetuam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 f\u00e1cil reconhecer como isso funciona em algumas situa\u00e7\u00f5es: quando avaliamos pessoas com base em suas credenciais acad\u00eamicas, por exemplo, isto prioriza conhecimento abstrato sobre experi\u00eancia vivida, centralizando aqueles que t\u00eam uma chance na academia e marginalizando todos os outros. Em outros casos, isso acontece mais sutilmente. Enfatizamos nosso status como ativistas sociais [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">community organizers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">], deixando impl\u00edcito que aqueles que n\u00e3o podem abrir m\u00e3o do tempo ou recursos para tais ocupa\u00e7\u00f5es t\u00eam menos direito de fala. Reivindicamos credibilidade como membros de longa data de comunidades, implicitamente deslegitimando todos que n\u00e3o s\u00e3o &#8211; incluindo imigrantes que foram for\u00e7ados a morar conosco porque seus locais de origem foram destru\u00eddos por processos que se originaram nos nossos. Justificamos nossas dificuldades com base em nossos pap\u00e9is na sociedade capitalista &#8211; como estudantes, trabalhadores, contribuintes, cidad\u00e3os &#8211; sem nos darmos conta de qu\u00e3o dif\u00edcil isso torna essa mesma justifica\u00e7\u00e3o para quem \u00e9 desempregado, sem-teto, e exclu\u00eddo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com frequ\u00eancia nos surpreendemos com a rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria resultante. Pol\u00edticos questionam nossos companheiros com o mesmo vocabul\u00e1rio que popularizamos: \u201cEstes n\u00e3o s\u00e3o ativistas, s\u00e3o moradores de rua fingindo ser ativistas.\u201d \u201cN\u00f3s n\u00e3o estamos atacando comunidades de negros, estamos protegendo-as de atividade criminal.\u201d Mas n\u00f3s mesmos \u00e9 que preparamos o caminho para isso ao fazermos uso de um discurso que torna a legitimidade algo condicional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando enfatizamos que nossos movimentos s\u00e3o e devem ser n\u00e3o-violentos, estamos fazendo a mesma coisa. Isto cria um <\/span><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Other\"><span style=\"font-weight: 400;\">Outro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> que est\u00e1 fora da prote\u00e7\u00e3o de qualquer legitimidade que n\u00f3s tenhamos ganhado &#8211; ou seja, um alvo leg\u00edtimo da viol\u00eancia. Qualquer um que puxa seus companheiros dos bra\u00e7os da pol\u00edcia ao inv\u00e9s de aguardar passivamente sua pr\u00f3pria pris\u00e3o &#8211; qualquer um que faz escudos para se proteger de balas de borracha ao inv\u00e9s de abandonar as ruas nas m\u00e3os da pol\u00edcia &#8211; qualquer um que \u00e9 acusado de desacato \u00e0 autoridade ao ser atacado por uma autoridade: todos esses infelizes s\u00e3o jogados aos lobos como sendo os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">violentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, as ma\u00e7\u00e3s podres. Aqueles que precisam usar m\u00e1scaras mesmo em atos legais em virtude de terem um emprego precarizado ou por serem imigrantes s\u00e3o expostos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">c\u00e2ncer<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, tra\u00eddos em troca de algumas migalhas de legitimidade dos poderes estabelecidos. N\u00f3s, Cidad\u00e3os de Bem, podemos nos dar ao luxo de sermos completamente transparentes; n\u00f3s jamais cometir\u00edamos um crime ou abrigar\u00edamos um criminoso em potencial em meio a n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E a <\/span><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Other\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201dOutro-iza\u00e7\u00e3o\u201d <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">othering<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">] da viol\u00eancia suaviza o caminho para a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">viol\u00eancia da Outro-iza\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Aqueles que sofrem as piores consequ\u00eancias disto n\u00e3o s\u00e3o os mimados de classe m\u00e9dia t\u00e3o xingados na internet, mas as mesmas pessoas que est\u00e3o sempre do lado errado de toda outra linha divis\u00f3ria do capitalismo: os pobres, os marginalizados, aqueles sem credenciais, nenhuma institui\u00e7\u00e3o pode defend\u00ea-los, nenhum incentivo para jogar numa pol\u00edtica desigualmente favor\u00e1vel \u00e0s autoridades e talvez alguns ativistas oportunistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Simplesmente deslegitimar a viol\u00eancia n\u00e3o ir\u00e1 acabar com ela. As disparidades em nossa sociedade n\u00e3o seriam mantidas sem elas, e os desesperados sempre ir\u00e3o responder assim atuando, especialmente quando sentirem que forem abandonados ao seu destino. Mas este tipo de deslegitima\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">pode <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">criar um grande abismo entre os irritados e os moralmente superiores, os \u201cirracionais\u201d e os racionais, os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">violentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">sociais<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. N\u00f3s vimos as consequ\u00eancias disto nas revoltas no Reino Unido em 2011, quando muitos dos marginalizados, cansados de tentar se melhorar por quaisquer meios leg\u00edtimos, travaram uma guerra privada contra a propriedade, a pol\u00edcia, e o resto da sociedade. Alguns deles j\u00e1 haviam tentado participar em <\/span><a href=\"http:\/\/www.crimethinc.com\/blog\/2011\/01\/26\/the-uk-student-movement\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">movimentos populares<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, mas foram estigmatizados como baderneiros [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hooligans<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">]; de forma nem um pouco surpreendente, seu movimento tomou um car\u00e1ter antisocial, resultando em cinco mortes e uma maior aliena\u00e7\u00e3o deles dos outros setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A responsabilidade por esta trag\u00e9dia n\u00e3o \u00e9 apenas dos pr\u00f3prios rebeldes, ou daqueles que impuseram sobre eles as injusti\u00e7as que eles sofreram, mas tamb\u00e9m sobre os ativistas que os estigmatizaram ao inv\u00e9s de inclu\u00ed-los na cria\u00e7\u00e3o de um movimento que poderia canalizar sua raiva. Se n\u00e3o h\u00e1 conex\u00e3o entre aqueles que pretendem transformar a sociedade e aqueles dentro desta que mais sofrem, nenhuma causa comum entre os esperan\u00e7osos e os enraivecidos, ent\u00e3o quando os \u00faltimos se revoltam, os primeiros os rejeitam, e os \u00faltimos s\u00e3o esmagados juntos com qualquer esperan\u00e7a de mudan\u00e7a real. Nenhum esfor\u00e7o para negar a hierarquia pode ter sucesso ao mesmo tempo em que excluir os marginalizados, os Outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Qual deveria ser a base para legitimidade, ent\u00e3o, se n\u00e3o nosso comprometimento com a legalidade, a n\u00e3o-viol\u00eancia, ou qualquer outro padr\u00e3o que deixa de fora nossos companheiros? Como explicamos o que estamos fazendo e por que temos o direito de faz\u00ea-lo? Devemos cunhar e circular uma moeda que n\u00e3o \u00e9 controlada por nossos governantes, que n\u00e3o crie Outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como anarquistas, sustentamos que nossos desejos e bem-estar e aqueles de nossos pares s\u00e3o a \u00fanica base significativa para a\u00e7\u00e3o. Em vez de classificar a\u00e7\u00f5es como violentas ou n\u00e3o-violentas, focamos em sua capacidade de extender ou diminuir a liberdade. Em vez de insistir que somos n\u00e3o-violentos, enfatizamos a necessidade de interromper a viol\u00eancia inerente ao governo de cima para baixo. Isto pode ser inconveniente para aqueles acostumados a buscar di\u00e1logo com os poderosos, mas \u00e9 inevit\u00e1vel para todos que realmente queiram abolir o poder em si.<\/span><\/p>\n<h2><b>Conclus\u00e3o: de Volta \u00e0 Estrat\u00e9gia<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">como <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">interrompemos a viol\u00eancia do governo de cima para baixo? Os partid\u00e1rios da n\u00e3o-viol\u00eancia colocam seu argumento em termos estrat\u00e9gicos e morais: viol\u00eancia aliena as massas, impedindo que consigamos construir o \u201cpoder popular\u201d de que precisamos para ter sucesso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um pouco de verdade no fundo disso. Se a viol\u00eancia for compreendida como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">uso ileg\u00edtimo da for\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, tal argumento pode ser visto como uma tautologia: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">atos deslegitimados s\u00e3o impopulares.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De fato, aqueles que tomam a legitimidade da sociedade capitalista como algo dado est\u00e3o fadados a ver qualquer um que toma provid\u00eancias materiais para contrapor suas disparidades como violento. O desafio \u00e0 frente de n\u00f3s, ent\u00e3o, est\u00e1 em como legitimar formas concretas de resist\u00eancia: n\u00e3o com base em sua n\u00e3o-viol\u00eancia, mas com base em seu car\u00e1ter libertador, em sua capacidade de satisfazer necessidades e desejos reais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Mesmo quando apaixonadamente acreditamos no que estamos fazendo, se n\u00e3o for algo reconhecido amplamente como leg\u00edtimo, tendemos a n\u00e3o saber nos explicar muito bem. Se ao menos pud\u00e9ssemos permanecer dentro dos limites que n\u00f3s s\u00e3o impostos dentro deste sistema enquanto tentamos derrub\u00e1-lo! O movimento Occupy foi caracterizado por tentativas de fazer justamente isso &#8211; cidad\u00e3os insistindo em seu direito de ocupar parques p\u00fablicos com base em interpreta\u00e7\u00f5es obscuras de lacunas legais, fazendo justificativas tortuosas t\u00e3o pouco convincentes para passantes quanto para as autoridades. As pessoas querem remediar as injusti\u00e7as ao nosso redor, mas em uma sociedade altamente regulada e controlada, h\u00e1 t\u00e3o pouco que elas se sentem no <em>direito de<\/em> <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fazer<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Solnit pode estar certa ao dizer que a \u00eanfase na n\u00e3o-viol\u00eancia foi essencial para o sucesso inicial do Occupy Wall Street: as pessoas queriam alguma garantia de que elas n\u00e3o teriam de deixar suas zonas de conforto, e que o que elas estavam fazendo faria sentido para todas as outras pessoas. Mas frequentemente ocorre que as pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es para um movimento se tornam limita\u00e7\u00f5es que ele precisa superar: o Occupy Oakland permaneceu vibrante ap\u00f3s as outras ocupa\u00e7\u00f5es se esvaziaram <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">porque<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> foi um movimento que abra\u00e7ou uma diversidade de t\u00e1ticas, n\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">apesar <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">disto. Da mesma forma, se realmente queremos transformar nossa sociedade, n\u00e3o podemos permanecer sempre dentro dos estreitos limites do que as autoridades consideram leg\u00edtimo: temos de estender o leque do que as pessoas se sentem no direito de fazer.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1700\" aria-describedby=\"caption-attachment-1700\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1700 size-full\" src=\"http:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/carro-pc.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"639\" srcset=\"https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/carro-pc.jpg 900w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/carro-pc-300x213.jpg 300w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/carro-pc-768x545.jpg 768w, https:\/\/zynphull.com\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/carro-pc-680x483.jpg 680w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1700\" class=\"wp-caption-text\">Esta viatura n\u00e3o consentiu com tal viol\u00eancia.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nem toda a cobertura midi\u00e1tica do mundo vai nos ajudar se falharmos em criar uma situa\u00e7\u00e3o em que as pessoas se sentem no direito de defender a si mesmas e umas \u00e0s outras&#8230;<\/span><\/i><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Legitimar a resist\u00eancia, expandir o que \u00e9 aceit\u00e1vel, n\u00e3o ser\u00e3o coisas populares no come\u00e7o &#8211; nunca \u00e9, precisamente por causa da tautologia explicada acima. \u00c9 preciso esfor\u00e7o cont\u00ednuo para alterar o discurso: calmamente enfrentando a indigna\u00e7\u00e3o e recrimina\u00e7\u00f5es, e humildemente enfatizando nossos pr\u00f3prios crit\u00e9rios de legitimidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considerar que este desafio vale a pena depende de nossos objetivos de longo prazo. Como David Graeber <\/span><a href=\"http:\/\/theanarchistlibrary.org\/HTML\/David_Graeber__The_Shock_of_Victory.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">apontou<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, conflitos sobre objetivos frequentemente se ocultam sob diferen\u00e7as morais e estrat\u00e9gicas. Tornar a n\u00e3o-viol\u00eancia o principal mote de nosso movimento faz bastante sentido se nosso objetivo a longo prazo n\u00e3o \u00e9 questionar a estrutura fundamental de nossa sociedade, mas criar um movimento de massas que pode deter a legitimidade como definida pelos poderosos &#8211; e que esteja preparado para <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">policiar <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">a si mesmo. Mas se realmente queremos transformar nossa sociedade, temos de transformar o discurso da legitimidade, n\u00e3o apenas nos posicionar bem dentro dele da forma que existe hoje. Se focarmos apenas neste \u00faltimo objetivo, vamos descobrir nossas bases de legitimidade fugindo de nosso controle o tempo todo, bases que muitos daqueles com os quais precisamos achar causas em comum jamais poder\u00e3o compartilhar conosco.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante discutir estrat\u00e9gia: ultrapassar o discurso de n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o implica em apoiar cada vidra\u00e7a quebrada como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">uma boa ideia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Mas tais debates s\u00f3 ficam perdidos quando dogmatistas insistem que todos os que n\u00e3o compartilham de seus objetivos e suposi\u00e7\u00f5es &#8211; para n\u00e3o dizer seus interesses de classe! &#8211; n\u00e3o t\u00eam senso de estrat\u00e9gia. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gico focar em deslegitimar os esfor\u00e7os uns dos outros ao inv\u00e9s de coordenar a\u00e7\u00f5es conjuntas dentro do que temos em comum. Este \u00e9 o ponto de defender uma diversidade de t\u00e1ticas: construir um movimento que tenha espa\u00e7o para todos n\u00f3s, mas que n\u00e3o deixa espa\u00e7o para domina\u00e7\u00e3o e silenciamento &#8211; um \u201cpoder popular\u201d que pode tanto expandir quanto se intensificar.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAqueles que dizem que a revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia foi pac\u00edfica n\u00e3o viram os horrores que a pol\u00edcia causou a n\u00f3s, e tampouco a resist\u00eancia e at\u00e9 mesmo for\u00e7a que os revolucion\u00e1rios usaram contra a pol\u00edcia para defender suas ocupa\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias e seus espa\u00e7os: pelas estimativas do pr\u00f3prio governo, 99 delegacias foram incendiadas, milhares de viaturas foram destru\u00eddas, e todos os escrit\u00f3rios do partido governante no Egito foram queimados. Barricadas foram levantadas, soldados foram apanharam de volta e atacados com pedras mesmo quando jogavam bombas de g\u00e1s e muni\u00e7\u00e3o letal contra n\u00f3s \u2026 se o Estado tivesse desistido imediatamente, ter\u00edamos ficado muito felizes, mas \u00e0 medida em que eles buscavam abusar de n\u00f3s, bater em n\u00f3s e nos matar, sab\u00edamos de que n\u00e3o haveria outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o lutar de volta.\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"http:\/\/occupywallst.org\/article\/solidarity-statement-cairo\/\"><strong>&#8211; Declara\u00e7\u00e3o de solidariedade do Cairo para o Occupy Wall Street, 24 de outubro de 2011<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Fontes das imagens:<\/p>\n<p>&#8220;<a class=\"clutterFree_existingDuplicate clutterFree_noIcon cf_div_theme_dark\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/fotos\/2015\/04\/fotos-manifestacoes-deste-domingo-12.html\">FOTOS: manifesta\u00e7\u00f5es deste domingo (12)<\/a>&#8221; &#8211; G1<\/p>\n<p>&#8220;<a href=\"http:\/\/www.brasilpost.com.br\/2015\/12\/03\/protesto-estudantes-sao-paulo_n_8712480.html\">Repress\u00e3o policial marca novo protesto de estudantes contra fechamento de escolas em SP<\/a>&#8221; &#8211; Huffington Post Brasil<\/p>\n<p>&#8220;<a class=\"cf_div_theme_dark\" href=\"http:\/\/www.anonymousbrasil.com\/brasil\/black-bloc-vira-carro-policia-civil-sao-paulo-assista-07102013\/\">Black Bloc vira carro da Pol\u00edcia Civil em S\u00e3o Paulo<\/a>&#8221; &#8211;&nbsp;AnonBR News<\/p>\n<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_1430_1();\">Notas<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_1430_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_1430_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_1430_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">Notas<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" class=\"footnote_plugin_index_combi pointer\"  onclick=\"footnote_moveToAnchor_1430_1('footnote_plugin_tooltip_1430_1_1');\"><a id=\"footnote_plugin_reference_1430_1_1\" class=\"footnote_backlink\"><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8607;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Preste aten\u00e7\u00e3o em como frequentemente pessoas detidas s\u00e3o acusadas de terem cometido o mesmo tipo de viol\u00eancia que na verdade sofreram por autoria da pol\u00edcia.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" class=\"footnote_plugin_index_combi pointer\"  onclick=\"footnote_moveToAnchor_1430_1('footnote_plugin_tooltip_1430_1_2');\"><a id=\"footnote_plugin_reference_1430_1_2\" class=\"footnote_backlink\"><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8607;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Nota do tradutor: coletivo autor do texto original, aqui traduzido.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" class=\"footnote_plugin_index_combi pointer\"  onclick=\"footnote_moveToAnchor_1430_1('footnote_plugin_tooltip_1430_1_3');\"><a id=\"footnote_plugin_reference_1430_1_3\" class=\"footnote_backlink\"><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8607;<\/span>3<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">Embora Solnit alegue que n\u00f3s \u201cn\u00e3o pare\u00e7amos preparados para agir,\u201d os autores de \u201cDear Occupiers\u201d e deste texto s\u00e3o participantes de longa data de movimentos sociais, e em sua maioria vivem bem abaixo da linha da pobreza, longe de mecas liberais como sua S\u00e3o Francisco. Este assunto toca muitos de n\u00f3s pessoalmente: alguns de n\u00f3s j\u00e1 sofreram falsas acusa\u00e7\u00f5es de tumulto &#8211; um por agir como porta-voz durante um protesto contra gentrifica\u00e7\u00e3o, outro por ser atacado pela pol\u00edcia durante um protesto de rua &#8211; e muitos de n\u00f3s t\u00eam amigos pr\u00f3ximos na pris\u00e3o. N\u00f3s escolhemos escrever anonimamente em parte porque, uma vez que n\u00e3o somos jornalistas profissionais, n\u00e3o podemos contar com empregadores que n\u00e3o nos discriminem por nossas orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e tamb\u00e9m porque tais orienta\u00e7\u00f5es atraem mais aten\u00e7\u00e3o hostil das autoridades que aquelas de Solnit ou Hedges, mas acima de tudo porque n\u00e3o procuramos desenvolver carreiras ou fama pessoal em tentativas de mudar o mundo.<\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_1430_1() { jQuery('#footnote_references_container_1430_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_1430_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_1430_1() { jQuery('#footnote_references_container_1430_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_1430_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_1430_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_1430_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_1430_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_1430_1(); } } function footnote_moveToReference_1430_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_1430_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } } function footnote_moveToAnchor_1430_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_1430_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - window.innerHeight * 0.2 }, 380); } }<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 viol\u00eancia? 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